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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pedro Bruno e suas obras em Paquetá.

Paquetá é uma ilha, no meio da Baía da Guanabara, tombada pelo IPHAN, Instituto Patrimônio Histórico Artístico Nacional,cujo acesso se dá por meio de barcas que saem da Praça XV, no centro da Cidade do Rio de Janeiro. As obras lá deixadas pelo pintor Pedro Bruno são tombadas pelo Município desde 1999. Ao desembarcar na ilha, é a Praça Pedro Bruno que recebe os visitantes, numa grande confusão e algazarra.

É na praça que charreteiros oferecem passeios pela ilha, rapazes nas suas ecos-bikes aguardam passageiros, o motorista de um tremzinho chama a atenção com um sino, parentes dos passageiros aguardam seus conhecidos com suas bicicletas, além daqueles que gritam distribuindo propaganda de restaurantes e hospedarias. Em quinze minutos todos se afastam da praça deixando o local, que fica aguardando nova movimentação na próxima barca.

Contudo a presença de Pedro Bruno permanece ali imortalizada, em busto, desde 14 de novembro de 1948, como a personalidade mais influente da história de Paquetá.

 
                                                     
Foi ele quem mais atuou na ilha, como escultor, projetista e paisagista, criando a atmosfera de Paquetá, até hoje preservada.

Pedro Bruno, desde a infância, demonstrou sensibilidade artística. Gostava de poesia, música e canto lírico, desenho, pintura e escultura. Foi discípulo de Castagneto, pintor italiano que residiu em Paquetá e aprendeu com este a pintar, nas lindas manhãs. Amava tanto a Ilha de Paquetá que a ela dedicou, fascinado pela natureza exuberante do lugar, suas lendas e seus costumes.

 

Cursou a antiga Escola Nacional de Belas Artes, concorreu em diversos Salões, recebeu medalha de bronze em 1912, medalha de prata em 1913, viagem ao exterior em 1919, grande medalha de ouro em 1925 e medalha de honra em 1943. Aperfeiçoou-se na Itália. Frequentou a Bristish School of Arts Inglaterra,tendo ali lecionou as técnicas de Modelo Vivo. Sua pintura pode ser inserida ao realismo do início do século XX. Trata-se de um pintor internacionalmente respeitado até hoje, pela qualidade de suas cento e quarenta obras em óleo sobre tela.

Em Paquetá realizou diversos trabalhos principalmente utilitários para os que visitam a ilha. Fez o projeto e os elementos decorativos na praça em frente a estação das barcas: vários bancos de concreto com figuras de peixes, para esperar comodamente pela embarcação; pequenos pergolados de vegetação, para embelezar o espaço e amenizar a temperatura e uma cisterna com bebedouros para o uso da população.

 
                                                  
A cisterna é uma construção retangular, tendo de dois lados duas bacias de pedra e nas outras duas ânforas, adornando o conjunto, representando que ali tem-se água reservada. Acima das bacias, fez painéis em argamassa, em alto relevo, representando cenas artísticas do escultor grego Fídias.


 

 No prolongamento dessa praça, criou um belvedere sobre o mar, com a mesma composição, bancos e pergolados, estimulando a atmosfera de contemplação da Baía.

 

Em frente a esse belvedere, numa outra praça posteriormente construída, a de Bom Jesus, criou outro conjunto utilitário composto de bebedouro, desta vez marcando os dois representantes da Ilha, os pássaros e os peixes, aqui reunidos em um só. De cada um jorrava água em uma anfôra.

                                               

Adiante, marcou a arte de Paquetá, em especial a música, com a figura de Beethoven e no final do contorno do trecho da Baía, o Parque dos Tamoios, que remete aos primeiros moradores da ilha.
                                           
Nesse parque escreveu num grande bloco de pedra o nome do espaço, criou dois pergolados para emoldurar o monumento a Carlos Gomes,em homenagem ao músico brasileiro.

 
                                            
Na Praia Jose Bonifácio deixou várias homenagens: aos pescadores da ilha, ao artista Hermes Fontes; repetiu o bebedouro da Praça Bom Jesus e orientou sobre os cuidados que os pássaros e as árvores exigem.

 
                                         
 

Na Praia da Moreninha criou outro recanto aconchegante, em homenagem a Joaquim Manuel de Macedo, o romancista de "A Moreninha", para identificar o local.


                                   
Homenageou figuras importantes da ilha, em bloco de pedra com letras de bronze, como o Dr. Aristão, o pintor Castagneto, entre outros.



Sua atuação passou dos limites do espaço público, realizou o planejamento artístico e paisagístico do Cemitério dos Passarinhos, além das pinturas na Capela do Cemitério, o de Jesus Cristo no Calvário e o de São Francisco de Assis Falando aos Pássaros; fez a escultura de um vaso marajoara no muro do Hotel Paquetá; a decoração da praça e da Capela de São Roque, onde ao fundo do Altar-Mór está um quadro de sua autoria, representando o Santo Milagroso; fez os jardins da casa onde morava e realizou o plantio de centenas de árvores na ilha, principalmente os flamboyants vermelhos e as acácias rosas.

Assim o Mestre, com uma arte singela, contou a história de Paquetá.

Veja a ficha cadastral:
http://www.inventariodosmonumentosrj.com.br/index.asp?iMENU=catalogo&iiCOD=1156&iMONU=Pedro%20Bruno