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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

As obras desaparecidas de Alexander Calder

O Parque do Flamengo foi idealizado por Carlota Macedo Soares, ou Lota, como era conhecida. Amiga do então governador Carlos Lacerda, ela convocou os principais especialistas da época para transformar essa nova área aterrada do Rio de Janeiro em um parque para a população carioca. Com a superintendência de Afonso Eduardo Reidy, ali trabalhou Burle Marx, a quem coube a maior tarefa, o projeto paisagístico.


No entanto, Lota não se esqueceu dos elementos decorativos e, em 1961, propôs ao governador a compra de uma obra do artista plástico americano Alexander Calder chamada “Rio”, de 1951, no valor de Cr$ 1.250.000 (um milhão e duzentos e cinquenta mil cruzeiros). Ao fechar o negócio, Calder não apenas vendeu a escultura em questão, mas também doou uma segunda peça à cidade, chamada “Stable”, de 1940. Assim, o Rio de Janeiro se tornou a única cidade da América Latina a ter obras do artista expostas em espaço público.


                                            - Stable

                                                 - Rio - parque da Catacumba 1979

Naquele mesmo ano de 1961, as duas esculturas de Calder foram instaladas no Parque do Flamengo. Dezoito anos depois, em 1979, o então prefeito Marcos Tamoio, ao inaugurar o Parque da Catacumba, optou pela transferência das peças para o novo local, por ser esse um espaço temático, dedicado à arte contemporânea.

Passados mais cinco anos, em novembro de 1984, ambas as peças foram retiradas do parque, devido à intensa corrosão, sendo transferidas para o depósito da prefeitura no Caju, onde foram desmontadas para serem submetidas a um processo de restauração.

Infelizmente, em novembro de 1985, as duas esculturas de Calder desapareceram do depósito. Apesar do registro da ocorrência na 17ª Delegacia de Polícia e da intensa divulgação do caso na imprensa, as obras nunca mais foram encontradas.

No ano seguinte, 1986, foi noticiado pelos jornais o sumiço de uma outra escultura do Parque da Catacumba, “Revoada”, de Pedro Correia Lima, que havia seguido a mesma trajetória das obras de Calder.




Alexander Calder nasceu em Lawton, no estado norte-americano da Pensilvânia, em 22 de julho de 1898. Faleceu em Nova York, em 11 de novembro de 1976, como um grande nome da arte moderna. Foi o primeiro artista plástico a desenvolver seus móbiles, a arte escultórica em movimento.

Filho de uma escultora com um pintor, Calder criava seus próprios brinquedos quando criança. Formou-se em engenharia e, antes de se dedicar à escultura, foi pintor e ilustrador. Em 1926, indo para Paris, se aproximou dos surrealistas, tornando-se grande amigo de Joan Miró. Naquela época, fez suas primeiras esculturas em arame e, a partir de 1931, construções abstratas. Seus primeiros móbiles são de 1932. Em 1959, visitou o Brasil para expor no Museu de Arte de São Paulo.

Calder ocupa lugar especial entre os escultores modernos por conta de suas peças sólidas, esculturas fixas e móbiles, placas e discos metálicos unidos entre si por fios que se agitam quando tocados pelo vento, assumindo formas imprevistas.