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sábado, 31 de dezembro de 2011

O Passeio Público do Rio de Janeiro



O Passeio Público do Rio de Janeiro foi o primeiro espaço público criado no Brasil. Durante os 200 anos de sua existência, ele recebeu diversas intervenções, que esse texto objetiva registrar, a fim de garantir sua preservação, com a divulgação de sua história.

No local onde hoje se encontra o Passeio Público, existiu, até o final do século XVIII, uma lagoa chamada de Boqueirão da Ajuda, que recebia os despojos de esgotos e lixo da população de seu entorno. Com a consequente proliferação de doenças, o então vice-rei, Dom Luís de Vasconcelos, resolveu aterrar o charco, desobstruindo, assim, a interligação da cidade e eliminando o foco de contaminação.

                                          
Pintura de Leandro Joaquim - Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro


Para ocupar aquele local, o vice-rei decidiu criar um jardim público, imbuído do conceito iluminista de saúde pública. Assim nasceu a primeira área urbanizada do Rio de Janeiro e das Américas.

A lagoa do Boqueirão foi aterrada com material proveniente do desmonte do pequeno Morro das Mangueiras, onde hoje está a Rua Visconde de Maranguape, no Centro. A tarefa de arrasar o morro, aterrar a lagoa e construir o jardim foi entregue a Mestre Valentim, considerado o melhor escultor da cidade na época. Realizado o aterro, foi imediatamente construído um cais, para que as ondas do mar não invadissem o jardim. Em seguida, Mestre Valentim iniciou os trabalhos de ornamentação do Passeio, construído entre 1779 e 1783, como primeiro local para o lazer do povo.


Mestre Valentim não trabalhou apenas como supervisor e autor da planta do Passeio – ele também confeccionou todas as peças de arte instaladas no local, inclusive as de metal, as primeiras fundidas no Brasil. No fundo do jardim, quatro escadas de pedra levavam ao terraço, que se debruçava sobre a Baía de Guanabara.


O maior destaque artístico do Passeio é o Chafariz dos Jacarés, fonte abastecida no passado pelo Chafariz da Carioca, por intermédio de canos subterrâneos. Localizada na extremidade do jardim, a fonte é composta por peças em bronze, fundidas por Mestre Valentim na Casa do Trem.

O Chafariz dos Jacarés, também conhecido como Fonte dos Amores, foi construído em um pequeno outeiro artificial, onde se encontravam “pousadas” três aves pernaltas que jorravam água pelos bicos. Dois jacarés entrelaçados lançavam água pelas bocas para um grande tanque. Um coqueiro de ferro completava o conjunto, que contava uma história romântica.




Figura : Correia Magalhães, "Terra Carioca - Fontes e Chafarizes, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 1929



Nas costas do Chafariz dos Jacarés, está a Fonte do Menino, outra criação de Valentim. Originalmente, a fonte era de mármore, segurando um cágado que, por sua vez, lançava água para um barril de granito, hoje em bronze.

As duas pirâmides triangulares localizadas dentro de um lago, em frente ao Chafariz dos Jacarés, também foram foram esculpidas por Mestre Valentim, em 1806, no governo do Conde dos Arcos,

Outro destaque do Passeio é seu belo portão de ferro, instalado na entrada do parque e executado sobre dois pilares de pedra lavrada. A peça, em estilo rococó, foi concebida por Mestre Valentim e apresenta elementos típicos da obra do artista, como guirlandas de rosas e margaridas. Um medalhão de bronze dourado traz, no lado interno, as armas da cidade, e, no externo, as efígies da rainha Dona Maria I e de seu marido, Dom Pedro; na face da monarca portuguesa lê-se o dístico “Maria Iª et Petrus III Brasiliae Regibus 1783”. As armas da cidade do Rio de Janeiro substituíram as armas do Império, exibidas no passado no medalhão de Dona Maria I.


                                             

Além de seu valor artístico, o medalhão de Dona Maria I tem grande valor histórico, por ser uma das poucas referências em via pública, no Brasil, à memória da rainha de Portugal, que viria a morrer no Rio de Janeiro em 1816.

O início do século XVIII foi marcado pelo abandono do parque. Somente em 1860, D. Pedro II resolveu intervir, encomendando uma obra de reforma, segundo plano apresentado por Francisco José Fialho e o botânico Auguste Glaziou.

A nova composição agregava elementos do jardim à inglesa e tentava dar ao parque uma aparência semelhante à dos parques contemporâneos europeus. Mantendo nesse jardim alguns marcos do seu antecessor, Glaziou altera radicalmente o projeto, criando um modelo bem ao gosto da época – o jardim paisagístico. Com suas curvas sinuosas, pontes, quiosques, fontes e vários outros componentes, o jardim fará parte do dia-a-dia da população. A escolha de árvores e plantas para os diversos recantos é uma característica constante.


Nessa reforma, o parque recebeu novas obras de arte, principalmente em ferro fundido das fundições do Val D'Osne, que se encontram ali até hoje, como um dos principais legados da arte francesa no Rio de Janeiro.



Prefeito do Rio de Janeiro entre 1902 e 1906, Pereira Passos, que realizou numerosas obras na cidade, também interveio no Passeio Público, com o objetivo de criar atrações para o parque. Ele construiu um aquário público, um bar e quiosques para vendas de mercadorias. Em 1922, foi construído um grande Teatro Cassino na área do terraço, criado por Valentim com a mesma intenção. Contudo, durante a gestão do prefeito Henrique Dodsworth (1937-1945), tais construções formam consideradas descaracterizadoras e, então, demolidas.
                                      

Se antes o Passeio Público ficava junto ao mar, hoje ele se encontra no Centro da cidade, graças a sucessivos aterros que foram levando a Baía de Guanabara para cada vez mais longe do parque, que perdeu seu uso de belvedere do mar.
  século XIX

 Foto: Malta 1906

 a partit de 1930

 1986

O reconhecimento do valor histórico e artístico do Passeio Público foi decretado com o tombamento em 1938, pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, com destaque para o conjunto do Portão Principal, o do Chafariz dos Jacarés (a Fonte dos Amores) e o par de obeliscos. E com a Carta de Florença, de maio de 1981, do Comitê Internacional de Jardins e Sítios Históricos – UNESCO, o Passeio Público se firmou como jardim histórico.

A partir de então, a conservação devera ser a maior preocupação em relação ao parque, devido aos danos causados pela ação do tempo e pela utilização do bem patrimonial, que necessitam ser amenizados através de medidas preventivas, no tratamento desse monumento de grande valor.

Videos por períodos históricos:

1 - http://www.youtube.com/user/Veradias2009?feature=mhee#p/u/3/EAgwXHsAiYY

2 - http://www.youtube.com/user/Veradias2009?feature=mhee#p/u/2/FD-LFRP65go

3 - http://www.youtube.com/user/Veradias2009?feature=mhee#p/u/1/LoMujYQCoUE

4 - http://www.youtube.com/user/Veradias2009?feature=mhee#p/u/0/CR62Cdfb8e4




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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O Gato-Maracajá e a Pedra da Onça na Ilha do Governador

Na Praia do Bananal, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro, há uma escultura, fruto de uma lenda local, que se transformou em um símbolo do bairro.

Diz a lenda que uma índia, pertencente a uma tribo da região, ia àquela praia todas as tardes, acompanhada de seu animal de estimação, um gato-maracajá, e lá se banhava. Um dia, a índia mergulhou no mar e não mais voltou, ficando o animal a aguardar o seu retorno durante dias e dias, eternamente petrificado.

Esta história inspirou um grupo de moradores, na década de 1920, a construir um monumento a ser colocado sobre a Pedra dos Amores, em homenagem ao fiel gato-maracajá. A obra foi executada por Galdino Guttmann Bicho, artista plástico residente na Ilha.


                                         1949

              1952



1965

Com os danos causados pelo tempo e por vandalismo, a escultura já estava destruída na década de 1960. Outra mobilização aconteceu e o gato-maracajá foi recriado, para manter a lenda indígena. Assim, em 20 de janeiro de 1965, a escultura original foi substituída por outra, que permanece sobre a pedra até hoje.


A lenda se eternizou neste monumento, que incorpora a escultura à Pedra da Onça.




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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Os portões da Quinta da Boa Vista - Rio de Janeiro

A Quinta da Boa Vista é um dos grandes parques do Rio de Janeiro, cujos portões registram a história dos períodos imperial e republicano.

Em maio de 2011, foi descrita neste blog a construção do jardim-terraço da Quinta da Boa Vista e a instalação do primeiro portão monumental daquele espaço, o Portão da Coroa, para os preparativos do casamento de D. Pedro, príncipe de Portugal, com Maria Leopoldina. Esse portão, segundo consta, foi presente do duque de Nothumberland a D. João VI.


                                        

Em 1909, na administração do prefeito Serzedelo Correa, foi encarregada a Inspetoria de Matas e Jardins, atual Fundação Parques e Jardins, da execução dos trabalhos de embelezamento, remodelação e saneamento dos jardins da cidade. Nesse período, foi executado o jardim-terraço,e  a transferência do Portão da Coroa para uma área nos fundos da Quinta da Boa Vista, onde mais tarde foi instalado o Jardim Zoológico do Rio de Janeiro.

Já o Portão da Cancela limitava a propriedade na direção do Campo de São Cristovão, hoje afastado dos limites gradeados do parque e reduzido na sua dimensão, sendo simplesmente um resquício do que fora outrora, sem relação física com a Quinta da Boa Vista.


                     Imagem cedida pelo Museu Histórico Nacional

 1992


 2006

O portão principal para acesso ao parque passou a ser o Portão da República, na entrada da Alameda das Sapucaias.


                                                  anos 20

 2006

Em 1992, com a redução de sua área para a abertura de uma segunda via de circulação no entorno do parque, foi criada uma rótula viária para a sua preservação.


Mais tarde, foi instalado um outro portão menor à frente da alameda principal, seguindo o desenho do gradil instalado em 1992.

                                2006

Mas o mais curioso portão da Quinta da Boa Vista é o que designa o espaço, situado na direção da estação do metrô de São Cristóvão. Acredito que seja do período da implantação paisagística executada por Glaziou em 1869; porém, não disponho de documentos que comprovem esse dado. Há também a hipótese de esse portão ter sido deslocado para esse local.

                                    2010


A cerca de cem metros dali, há outro portão semelhante, sem uso, de propriedade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cuja conservação não compete à administração municipal do parque. A dimensão e os elementos decorativos desse portão levam a crer que se trata do modelo completo.

Em ferro fundido, com detalhes em bronze extraídos do catálogo das fundições de Val D'Osne, esses portões podem ser representantes do período imperial da Quinta da Boa Vista.







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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Ponte dos Jesuítas – resquício do século XVIII na cidade do Rio de Janeiro

Ao longo de dois séculos de permanência no Brasil, os jesuítas criaram várias aldeias, sendo que algumas delas alcançaram um certo poderio político e econômico, após seu importante papel na integração dos índios à Colônia.



O inicio da ocupação da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro  aconteceu com  Cristóvão Monteiro, ouvidor-mor do Rio de Janeiro e morador de São Vicente, casado com Marquesa Ferreira e pai de dois filhos, recebeu uma sesmaria de terras que ia de Sapiaguara a Guaratiba. Com a morte de Cristóvão, a Marquesa resolveu dividir as terras de Guaratiba e Guarapiranga em duas partes iguais. Doou uma parte à filha Catarina, e outra à Companhia de Jesus. Catarina, no entanto, também cedeu sua parte à Ordem de Santo Inácio: esta foi a gênese da fazenda de Santa Cruz. A posse se deu no ano de 1589 e, a partir de então, essas terras jesuíticas passariam por algumas aquisições, aumentando sua capacidade produtiva.
A Fazenda de Santa Cruz tinha dez léguas quadradas em seu auge produtivo e era considerada a mais importante propriedade do sul do Brasil. Contava com milhares de escravos, além de técnicas avançadas para a época. Chegou a ter 22 currais, onde eram criados gado vacum, equinos, suínos, caprinos e ovinos, fora os animais domésticos. Entre outros produtos, cultivava feijão, mandioca, fumo, algodão e cacau, destacando-se a produção de açúcar, arroz e farinha. Contava também com manufaturas, que atendiam às necessidades internas, como era comum nas grandes propriedades do período colonial. A fazenda abrigava olaria, ferraria, carpintaria, serraria, fábricas de cerâmica, de canoas, de móveis e de artigos em couro, tanoaria, atividades de ourives, de prateiros e de tecelagem, forno de cal, casa de farinha, engenhos, oficinas de descasca de arroz, engenhoca de aguardente e engenho de açúcar.



Para interligar a Fazenda de Santa Cruz à região de São Cristóvão, os jesuítas abriram uma estrada e construíram a Ponte dos Jesuítas, feita em 1752. Concebida pelo padre Pero Fernandes, a ponte tinha função de regularizar o fluxo das águas na baixada, promovendo a irrigação natural para manter os níveis de umidade dos pastos e evitando inundações. A ponte foi feita de pedras sobre o Rio Guandu, daí um dia ter sido chamada de Ponte do Guandu, ou ponte D. Pedro I

Para que a Ponte dos Jesuítas cumprisse seu papel, foram traçados mapas com a rede hidrográfica, as elevações, os vales, os morros e as depressões. Dois jesuítas foram pesquisar na Holanda – país que possuía problema semelhante – os procedimentos que deveriam ser adotados. Assim, eles concluíram que se deveria conter o leito dos rios nos pontos de inundação e abrir valas e canais para o escoamento das águas, que seriam manobradas conforme a necessidade, solucionando os problemas tanto de enchentes como de secas

Funcionando como comporta, a Ponte dos Jesuítas possui arcos em cantaria de dimensões variadas, que eram deixados abertos para o escoamento natural do rio ou fechados para represá-lo, a fim de que o excesso de água refluísse para cima, indo vazar pelo canal que havia sido construído com esse fim (atual “valinha”), desviando parte das águas para o Rio Itaguaí
           
Com seus 50m de extensão e 6m de largura, a Ponte dos Jesuítas servia também como passagem para tropeiros e pedestres que iam e vinham do interior em direção ao Rio de Janeiro.

         

Do lado do reservatório,a ponte possui quatro arcos, os óculos, que retinham a água – na saída, a velocidade era reduzida com a divisão dos canais em duas paredes




Uma represa que permitisse o melhor desenvolvimento das colheitas representava um grande avanço na época. O marco da presença jesuíta e sua capacidade artística foram expressos nessa construção. Um medalhão barroco, esculpido em gnaisse no centro da ponte com o símbolo jesuíta, enriquecem a obra: I.H.S. ( “Jesus Salvador dos Homens”).

A ponte traz também a seguinte inscrição em latim: “Flecte genu, tanto sub nomine, flecte viator. Hic etiam reflua flectitur amnis aqua” (“Dobra o joelho sob tão grande nome, viajante. Aqui também se dobra o rio em água refluente”).


É também ornamentada por colunas com capitéis em forma de pinhas portuguesas, esculpidas em pedra, trabalhadas com cinzel.



Com a expulsão dos jesuítas, em 1759, a fazenda foi incorporada aos bens da Coroa e ficou subordinada diretamente ao vice-rei, passando a produção por um período de decadência.

Foi só a partir de 1790 que seu desenvolvimento recebeu maior atenção da metrópole. Assim, a plantação de cana-de-açúcar e a construção de engenhos foram incentivadas, mas não houve o resultado esperado e a produção passou por novo declínio, com a consequente venda de terrenos. Com a carta régia de 7 de novembro de 1803, foram desmembradas de sua área os engenhos de Itaguaí e Piaí, o que agravou a situação de decadência da Fazenda de Santa Cruz, cuja pequena renda era obtida da exploração dos arrendamentos, pastos e extração de madeira.
Com a canalização do rio Guandu, o conjunto arquitetônico da Ponte dos Jesuítas foi destituído de sua função original, mas constitui um dos mais belos e raros monumentos da arquitetura jesuítica no Rio de Janeiro, sendo consagrada por sua importância histórica e arquitetônica desde 1938, com o seu tombamento nacional.





Veja o video: http://www.youtube.com/watch?v=8U_cYpjMgp0





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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

As obras de arte das Fundições do Val D'Osne trazidas pelo paisagista Glaziou


A arte do ferro fundido chegou ao Brasil no século XIX, pelas mãos do imperador Pedro II, apreciador da beleza do estilo neoclássico, reproduzido nas peças das Fundições Val D' Osne. O primeiro chafariz em ferro fundido do Rio de Janeiro foi uma obra de Mathurin Moreau, instalada inicialmente na Praça XV de Novembro, no Centro da cidade. Hoje se encontra na Praça do Monroe, no final da Avenida Rio Branco.

                                        

                               


Entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX, período de expansão e transformação da cidade, o Rio de Janeiro viu esse acervo crescer em quantidade e variedade, valorizado pelo paisagista francês Auguste Marie Glaziou, que veio ao Brasil a convite de D. Pedro II e foi o criador dos primeiros parques e praças da capital do Império.

Os jardins de Glaziou popularizaram por aqui as obras em ferro fundido, utilizadas também como elementos decorativos em edifícios públicos e nos jardins das residências mais nobres.


O primeiro parque público do Brasil, o Passeio Público, no centro do Rio de Janeiro, foi reformado por Glaziou em 1861, a pedido de D. Pedro II. Em meio a suas linhas românticas foram instaladas uma ponte (imitando troncos de árvores) e um conjunto escultórico de Mathurin Moreau representando as estações do ano.
 Guarda corpo em ferro
 Inverno

 Verão


No Campo de Santana, outro parque da mesma época e também localizado no Centro da cidade, quatro monumentais portões em ferro fundido permitem acesso ao jardim. Inaugurado oficialmente em 1880, durante as comemorações da Independência do Brasil, o conjunto é de 1873. Quatro fontes embelezam o parque – com a figura da “Jovem Europa”, de Mathurin Moreau –, instaladas no parque desde 1885, além da escultura da “Sereia”, de Sierres, que ornamenta o lago artificial criado por Glaziou.


 Fonte com a Jovem Europa

                           A Sereia

Em 1862, foi inaugurada na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, o Monumento a D. Pedro I. Para personificar ideais valorizados pela filosofia positivista de Auguste Comte, foram encomendadas quatro esculturas de Mathurin Monroe – “Fidelidade”, “Liberdade”, “Justiça” e “União” –, instaladas no entorno do monumento após a implantação dos jardins de Glaziou. As obras foram criadas em estilo neoclássico.






Um atraso na confecção e na entrega da encomenda fez com que as estátuas fossem instaladas em 1863, quase um ano após a inauguração da praça, onde permaneceram por muitos anos. Mais tarde, elas foram deslocadas para outras praças da cidade, somente retornando em 2005, quando da restauração do Monumento a Pedro I.

E assim Glaziou nos deixou um legado de esculturas das Fundições do Val D'Osne.












segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Getulio Vargas em várias homenagens na Cidade de Rio de Janeiro

A primeira homenagem da cidade do Rio de Janeiro a Getúlio Vargas aconteceu logo após sua morte, em 1954, quando foi instalado um busto sobre um vaso de mármore de Carrara que já havia na Praça Marechal Floriano.

                                         1954

 1959

Oito anos depois, em 24 de agosto de 1962, o monumento de Luiz Serri é inaugurado em seu devido pedestal. Nessa ocasião, foi instalada no pedestal “A Carta Testamento” de Getúlio, como o principal documento relacionado a sua morte. O monumento permaneceu no centro da praça até 1996, quando o espaço foi revitalizado pelo Projeto Rio Cidade, da Prefeitura. Após as obras, o busto foi transferido para a lateral da praça, onde permanece.




Em Paquetá também existe um monumento em homenagem a Getúlio Vargas. Ele fica na Praça São Roque, próxima à Igreja, semelhante ao existente na Praça Marechal Floriano. Não se sabe a data de sua inauguração.

                                         

Em Benfica, na Praça Getúlio Vargas, no conjunto habitacional dos ex-combatentes, existe outra cópia do busto, inaugurada em 1996 quando da revitalização do espaço pela Prefeitura.


Em 1984, foi promovido um concurso público nacional, pelo então governador do Estado do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, e por seu secretário de Cultura, Darcy Ribeiro, presidido pelo arquiteto Oscar Niemeyer, para a criação de um memorial dedicado a Getúlio. O projeto vencedor foi o do arquiteto Henock de Almeida.


Originalmente, era para o memorial ser construído na Praça Mahatma Gandhi, em frente à Cinelândia. Entretanto, o local estava ocupado por um estacionamento subterrâneo. E o projeto foi engavetado.


Em 2002, foi retomado o projeto de Henock para o memorial a Getúlio Vargas. A Praça Luís de Camões, na Glória, foi o local escolhido para a sua construção. Finalmente, a Prefeitura do Rio inaugurou o Memorial Getúlio Vargas no dia 24 de agosto de 2004, conforme o projeto inicial, marcando o cinquentenário da morte do presidente. 

O memorial foi erguido sob um espelho d’água. De seu centro surge uma coluna de 17,5m, reduzida em 6m para evitar que o seu tamanho ultrapassasse a altura das copas das árvores e impedisse a visão dos prédios da Rua do Russel, em cuja entrada foi instado o busto de Getúlio Vargas, que pesa 3 toneladas e tem 2,50m de altura, sobre uma base de 3m onde se encontra reproduzido o texto da carta-testamento.  Conhecido como Getulão ou Cabeção, o monumento ainda acirra controvérsias sobre sua implantação. 


Henock comenta: “Sempre acreditei que um dia o projeto seria realizado e mantive a maquete ao meu lado. Não pela arquitetura, mas sim pela importância da vida e obra do mais popular presidente da nossa história”.




Getúlio Dorneles Vargas nasceu em São Borja (RS), no dia 19 de abril de 1882. Foi advogado e líder civil da Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha ao depor o presidente Washington Luís. Impediu a posse do presidente eleito em 1 de março de 1930, Júlio Prestes, quando assumiu como chefe do “Governo Provisório”. Permaneceu como presidente do Brasil até 1945, enquanto durou seu Estado Novo, implantado após um golpe de estado.
Getúlio era chamado de “o pai dos pobres”. A sua doutrina e seu estilo político foram denominados de getulismo ou varguismo.
Em 1954, quando se suicidou com um tiro no coração em seu quarto no Palácio do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, Getúlio Vargas ocupava a presidência do país pela segunda vez, agora eleito pelo povo. Sua morte recebeu uma das maiores manifestações de pesar de toda a história da nação. Por tudo isso, Getúlio teve seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, em 15 de setembro de 2010, pela lei nº 12.326.
Getúlio Vargas foi um dos mais controvertidos políticos brasileiros do século XX. Sua influência se estende até hoje. A sua herança política é invocada por pelo menos dois partidos políticos atuais: o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).


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sábado, 3 de setembro de 2011

Rodolfo Bernardelli - os monumentos na Cidade do Rio de Janeiro


José Maria Oscar Rodolfo Bernardelli nasceu em Guadalajara, no México, em 1852. Filho de pai violonista e de mãe dançarina, pertencia a uma família de artistas, de origem italiana. Em companhia dos seus irmãos – Henrique Bernardelli e Felix Bernardelli, também artistas –, deixou seu país natal em 1866, passando por Chile e Argentina até fixar moradia no Rio Grande do Sul. Em 1870, Rodolfo veio para a cidade do Rio de Janeiro, para estudar no curso de escultura ministrado por Chaves Pinheiro, na Academia Imperial de Belas Artes, onde revelou seu notável talento para essa forma de arte. Quatro anos depois, ele se naturalizou brasileiro.
                                                            

Ao regressar ao Brasil, em 1885, Bernardelli esculpiu “O Cristo e a Adúltera”, em mármore, e “Santo Estevão”, em bronze, ambas hoje no acervo do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, foi nomeado professor da cadeira de Escultura Estatuária na Academia Imperial de Belas Artes, em substituição a Chaves Pinheiro. Nessa cadeira, da qual foi o sexto ocupante, ele havia sido precedido também por Auguste Marie Taunay, João Joaquim Alão, Marc Ferrez e Francisco Elidio Pantiro.
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Com a Proclamação da República, em 1889, Rodolfo Bernardelli pediu demissão. Porém, por intervenção de seu amigo e admirador Benjamin Constant, acabou permanecendo no cargo e integrando a comissão incumbida de reformar a Academia, que seria transformada na Escola Nacional de Belas Artes, atual Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

As esculturas de Rodolfo Bernardelli foram sempre muito bem recebidas, justamente no momento em que a sociedade brasileira passava por mudanças profundas. A nova classe dirigente reclamava um artista que correspondesse à exaltação progressista em voga. Bernardelli, na escultura, atendia àquelas aspirações. Em 1894, ele realizou o primeiro monumento da República, em homenagem ao General Osório, situado na Praça XV, inaugurado em 12 de novembro




A seguir, em 7 de maio de 1897, foi inaugurado no Flamengo seu Monumento a José de Alencar, considerado o fundador do romance brasileiro, escritor nacionalista e vibrante.



Dois anos depois, no dia 15 de agosto de 1899, foi inaugurada a poucos metros dali, no Largo do Machado, outra obra de Bernardelli em homenagem a um herói brasileiro, o Duque de Caxias. De inspiração semelhante à do Monumento a Osório, esta nova obra acabou sendo transferida para a Avenida Presidente Vargas em 1949, onde foi construído um mausoléu para o marechal, o que descaracterizou a criação de Bernardelli.



 Para os festejos dos 400 anos do descobrimento do país, Bernardelli inaugurou, no dia 13 de maio de 1902, a grande obra “A Descoberta do Brasil”, no Largo da Glória. Com ela, o artista homenageou três personalidades do feito: Pedro Álvares Cabral (comandante da frota), Pero Vaz de Caminha (escrivão da frota) e o frei Henrique do Coimbra (capelão que celebrou a primeira missa).




No mesmo ano, foi inaugurado seu monumento tumular a Carlos Gomes, em Campinas (SP). Em 16 de janeiro de 1960, uma réplica da peça foi instalada na Praça Marechal Floriano, no Centro do Rio de Janeiro.




Em 1905, no dia 7 de agosto, foi a vez de Bernardelli inaugurar a estátua de Teixeira de Freitas, no antigo Largo de São Domingos, próximo à Av. Passos, no centro do Rio de Janeiro. Em 1910, o monumento foi transferido para a Praça Paris. Por fim, a obra foi levada para a Av. Marechal Câmara, próximo ao prédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 1993. Essa estátua é considerada um dos melhores trabalhos de Rodolfo Bernardelli.  


Por encomenda da prefeitura, Bernardelli criou, em 1906, um utilitário para a cidade do Rio de Janeiro: um lampadário, destinado a substituir os postes das companhias Jardim Botânico e Tlophonicy do Telégrafo Nacional e da iluminação pública. Ele se encontra próximo ao Centro, no Largo da Lapa, sendo um dos mais belos ornamentos da cidade. Foi inaugurado em 5 de novembro daquele ano.


O monumento seguinte foi a estátua de Cristiano Benedito Ottoni, considerado o “pai das ferrovias no Brasil”. A encomenda partiu da diretoria da Estrada de Ferro Central do Brasil, a fim de comemorar o jubileu da inauguração do tráfego por via férrea. Cada funcionário contribuiu com uma cota para a realização do monumento, instalado diante da fachada da Central no dia 29 de março de 1908, onde se encontra até hoje.


  

Já a iniciativa da construção do Monumento ao Visconde de Mauá teve origem no Clube de Engenharia, na sessão realizada em 1º de setembro de 1903. O projeto inicial era de um arco monumental, sob o qual ficaria a primeira locomotiva da Estrada de Ferro de Mauá, encimado pelo busto do homenageado. Essa idéia, porém, não foi aceita, prevalecendo a coluna que foi instalada na Praça Mauá. Com as obras de na praça a estatua foi transferida para a Rua da Candelaria e as colunas estão guardadas no deposito da Prefeitura.




Nas ruas do Rio de Janeiro, temos ainda outras esculturas de Bernardelli: os bustos de Gonçalves Dias de 2 de junho de 1901, o de Alberto Nepomuceno (1910) e de Ferreira Araújo (1912),  no Passeio Público e o de Pereira Passos na Praça Pio X entre as Avenidas Presidentes Vargas e Rio Branco.


 Alberto Nepomuceno

 Ferreira Araujo

 Gonçalves Dias


 Pereira Passos



Rodolfo Bernardelli foi o professor titular da cadeira de Escultura Estatuária na Escola Nacional de Belas Artes até 1910, quando foi substituído por seu discípulo José Otávio Correia Lima, mais tarde também diretor.
Bernardelli teve numerosos alunos, entre os quais se destacam também Amadeu Zani, Antônio de Mattos, Modestino Kanto, Manuel Joaquim da Silva, Benevenuto Berna, Adalberto Matos, Angelina Agostini, Jurandir dos Reis Paes Leme, Honório da Cunha e Melo, Armando Magalhães Correia, Joaquim Rodrigues Moreira Junior, Julieta França, Nicolina Vaz de Assis, Paulo Mazzuchelli, Hildegardo Leão Veloso, Samuel Martins Ribeiro, Carlota Nascimento e Celita Vaccani– esta última, professora de modelagem da Escola.
O Museu Nacional de Belas Artes guarda algumas peças da enorme obra de Bernardelli, composta por cerca de 270 trabalhos, incluindo maquetes e estudos. Sua produção foi abundante.
Realizou ainda trabalhos – em regra, figuras alegóricas – para o Teatro Municipal e as fachadas da antiga Escola Nacional de Belas Artes e da Biblioteca Nacional, além das águias do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro.
São ainda de sua autoria estátuas e lustres do Museu Histórico Nacional, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Clube de Engenharia, do Instituto de Manguinhos e da Escola Nacional de Engenharia, entre outros.
Em 18 de dezembro de 1952, no programa do centenário do nascimento de Rodolfo Bernardelli, foi inaugurado na Praça Irmãos Bernardelli, no Leme, o monumento aos irmãos Henrique e Rodolfo, de autoria do escultor Hildegardo Leão Veloso, um dos discípulos de Rodolfo.
Rodolfo Bernardelli morreu no dia 7 de abril de 1931, aos 78 anos.





 
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