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domingo, 20 de fevereiro de 2011

A dança dos monumentos da Praça Floriano – Cinelândia


Entre os grandes palcos da política nacional, a Praça Floriano é o que teve o maior número de mudanças em relação aos seus monumentos. A história que irei relatar é resultado de uma pesquisa iconográfica que venho realizando, com muitas perguntas e dúvidas ainda não respondidas.

Sabe-se que o prefeito Pereira Passos abriu a Avenida Central (atual Avenida Rio Branco) a partir de 1902, demolindo um grande número de imóveis. O trecho onde hoje está a Praça Floriano me parece ser um espaço remanescente dos lotes que foram abertos com a demolição do Convento da Ajuda, das freiras carmelitas.
                      
        
                           
Não há informação de que tenha sido instalada alguma obra artística na Praça Floriano quando da inauguração da avenida, em 1906. No entanto, graças à imagem abaixo, ao menos se sabe que o primeiro item de arte ali acomodado foi uma fonte Wallace, peça francesa da Fundição Val d’Osne, adquirida por Pereira Passos. Não há, porém, informação sobre quando ela foi retirada de lá.

                                     
                                       
                                       observe que a praça esta definida e os predios em construção.

                                       

                                       

Estas imagens mostram a praça ajardinada em um desenho geométrico, com a escultura de um leão e dois vasos de Carrara. O leão é obra de H. Peyrol, adquirida pelo prefeito Pereira Passos, mas transferido em 1938 para a Avenida Edson Passos, na subida para a Floresta da Tijuca.

Quatro anos depois, em 1910, a praça foi reformada para a instalação de um monumento em homenagem ao Marechal Floriano Peixoto, que deu nome ao lugar. Inaugurada em 21 de abril, Dia da Inconfidência Mineira, a obra de Eduardo de Sá, com seus 17m de altura, exalta o patriotismo do marechal e do Brasil, através de esculturas alegóricas.

 Foto A Ribeiro

A foto a seguir, apesar de mostrar uma visão apenas parcial do espaço, registra como ficou a composição.

                                       

Mais quatro anos depois, em 1914, foi instalada a Fonte do Manequinho, de Belmiro de Almeida. Ela permaneceu ali só até 1919, quando foi recolhida ao depósito da Prefeitura, por incomodar a sociedade da época. Hoje ela está em frente à sede do clube do Botafogo.



 Em 1925, foi inaugurado um busto, obra de Hugo Taddey em homenagem a Paulo de Frontim, inaugurado no dia de seu 65º aniversário – 17 de setembro.


                                             


Na foto a seguir, da década de 1960, o busto aparece à esquerda, sem o jardim no seu entorno.



Desde 1996, quando a Praça Floriano foi remodelada pelo projeto urbanístico conhecido como Rio Cidade, o busto está situado praticamente em frente ao cinema Odeon.

Em 1928, instalou-se o busto de Francisco Serrador, idealizador da Cinelândia brasileira, homem que inaugurara ali o primeiro dos muitos cinemas que funcionariam ao redor da praça, o Capitólio (1925), e, depois, o Odeon (1926). O busto ficava em frente aos cinemas, mas agora está próximo à entrada de um dos bares que funcionam naquele endereço.


Em 1934, a Praça Floriano recebeu a escultura Oferenda, posicionada em frente ao Teatro Municipal. E em 1950 ela passou a abrigar também a estátua de Chopin. estátua de Chopin.

Em 16 de janeiro de 1960, foi inaugurada a nova estátua de Carlos Gomes, em frente ao Teatro Municipal. A estátua é cópia da original, que fora realizada há mais de 80 anos por Rodolfo Bernardelli e instalada em Campinas, cidade natal do compositor. Bernardelli retratou Carlos Gomes no momento em que terminava uma regência e pedia silêncio à orquestra para os aplausos da plateia. O monumento foi deslocado em julho de 2010 para a lateral do Teatro Municipal, perdendo-se, então, seu pertinente paralelismo com o palco do teatro.

                                  

          

Em 24 de agosto de 1962, foi inaugurado um busto em homenagem a Getúlio Vargas, obra de Luiz Serri, estranhamente posicionada sobre um dos vasos de mármore de Carrara que existiam na praça.


Atualmente, a peça se encontra alinhada aos bustos de Paulo de Frontim e Francisco Serrador, voltados para a Avenida Rio Branco.

                                                           


A década de 1970 foi marcada por grandes obras na cidade do Rio de Janeiro. Com a construção do metrô, a Praça Floriano foi remodelada, transformada em um grande calçadão, com elementos de concreto armado para a ventilação da estação.

                                                  

Nesta foto de 1976, é possível ver um dos vasos de mármore e uma série de outros em ferro fundido, para plantio de árvores, perdidas com a construção do metrô.

                                        

Hoje esses vasos de ferro estão dispersos entre a Avenida Presidente Vargas (no Centro), a frente do Parque Guinle (em Laranjeiras) e o Largo da Prainha (na Gamboa).


Em 1996, a praça passou por outra reformulação, com a criação de uma via de circulação ao longo dos prédios alinhados à Câmara dos Vereadores, para permitir o acesso de veículos, mantendo-se o calçadão e os monumentos a Floriano Peixoto e a Carlos Gomes. Os bustos foram deslocados e retiraram-se todos os vasos. As grandes caixas de ventilação da estação de metrô permaneceram e o piso de pedra portuguesa foi recriado.


Para finalizar este registro das numerosas alterações realizadas na Praça Floriano, decorrentes do caos das interferências políticas e administrativas da cidade, destaco o busto de Juscelino Kubitschek de Oliveira, feito pelo artista Zanucchi. Trata-se de uma peça de bronze com base de concreto, erguida originalmente pelos admiradores do ex-presidente em 1961, mas destruída por um grupo de oficiais militares ressentidos, saídos do Clube Militar, logo depois da vitória do golpe de estado que instaurou a ditadura no Brasil em 1º de abril de 1964. O busto foi reconstituído após a abertura política, em 1983, pelo Partido da Mobilização Nacional.