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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

São Sebastião, o padroeiro da cidade do Rio de Janeiro

No dia 1º de janeiro de 1502, navegadores portugueses avistaram a Baía de Guanabara. Acreditando que se tratava da foz de um grande rio, deram-lhe o nome de Rio de Janeiro, daí a origem do nome da cidade. O município em si foi fundado em 1565 por Estácio de Sá, com o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro, em homenagem ao então rei de Portugal, D. Sebastião. Mas foi apenas em 1962 que surgiu a ideia de construir um monumento ao padroeiro da cidade, São Sebastião, pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro. A intenção era inaugurá-lo durante os festejos de comemoração do quarto centenário do Rio, em 1965.

O escultor escolhido para executar o monumento foi Dante Crossi. Optou-se pelo granito de uma pedreira do Alto da Boa Vista, para a execução da base, sendo que a imagem seria feita em argamassa, representando São Sebastião amarrado a um tronco de árvore e atingido por flechadas, inspirada em uma peça que fora trazida ao Rio de Janeiro em 1567. A estátua teria 13m de altura e seria instalada na Praça Luís de Camões, no bairro da Glória.

Na data prevista para a inauguração – 20 de janeiro de 1965, dia de São Sebastião –, o monumento ainda não estava pronto. Então, foi realizada uma solenidade improvisada com o protótipo da escultura em gesso, modelo que se encontra atualmente no Museu da Cidade, guardado como uma relíquia.



Chegando o dia da tradicional procissão de São Sebastião, a pequena imagem saiu da antiga catedral, na Rua Primeiro de Março, no Centro, rumo ao Largo do Russel, na Glória, com todos os festejos, jogos, flores, cânticos e demonstração da Esquadrilha da Fumaça. Contudo, havia uma grande preocupação quanto à possibilidade de chover. Durante a cerimônia religiosa, o protótipo ficou sobre um pedestal, mas foi apressadamente retirado, pois uma eventual chuva poderia danificá-lo seriamente.

Enfim, em março de 1965, iniciou-se a obra para instalar o monumento, que só foi concluída em agosto, sendo inaugurada no dia 21. Era prevista uma missa campal, suspensa devido a um forte temporal. Com isso, durante o festejo da inauguração da imagem, foi realizada somente uma bênção e lida uma mensagem do papa Paulo VI. Até as flores que seriam jogadas sobre a estátua pelos aviões da Força Aérea Brasileira foram canceladas.

Toda a gala foi prevista, com a guarda de soldados das forças armadas e da Polícia Militar. A imagem foi coberta com as cores da bandeira do estado. Os capuchinhos formavam uma guarda de honra.


A grandiosa escultura de 13m de São Sebastião, em argamassa, amarrado a um tronco de árvore, foi finalmente concretizada. A representação de sua proteção para a cidade foi instalada na parte posterior do monumento, em um baixo-relevo com os seguintes textos: “Aparição de São Sebastião, no combate das canoas” e “Basta-lhe chamar-se cidade de São Sebastião para ser favorecido do Senhor e merecimentos do Glorioso Mártir”.



Foi construída uma esplanada para receber os fiéis, de modo que a procissão em homenagem ao santo padroeiro passou a ir até o monumento, onde se celebrava a missa campal, finalizando os festejos.

Em 1972, a praça recebeu a primeira reforma, quando se construiu o lago com um chafariz luminoso no entorno da estátua, para proteger e valorizar o monumento.

                                        

Em agosto de 1977, surgiram os primeiros sinais de vandalismo, com o roubo das três flechas cravadas na estátua. Imediatamente, a Prefeitura providenciou a colocação de novas flechas. No final do mesmo mês, foi encontrada uma parte das flechas roubadas, por um mergulhador que costumava praticar pesca submarina no “calabouço” (enseada da Glória, próximo ao Museu de Arte Moderna). Mesmo com receio de ser considerado autor do roubo, ele providenciou a devolução da peça à Prefeitura, mas ela não pôde ser reaproveitada, devido à corrosão.

Novamente, em 1987, identificou-se o desaparecimento de outra flecha, que se localizava no lado direito da estátua, pouco acima da cintura. Foi novamente reposta.


Em 1996, o monumento foi cercado, o que não tem impedido o vandalismo dos pichadores.




Esse relato é uma homenagem ao padroeiro mártir da cidade do Rio de Janeiro, que sofre com o vandalismo e o desconhecimento dos valores patrimoniais.




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